Um vício por escracho.

(…)

-Eu vivo uma vida sem vícios.

– Todos nós temos um vício!

– Eu não. Não preciso.

– Você ainda não descobriu qual, mas tem um vício. Já disse que todo nós temos um vício.

Todos juntos: – Você tem um vício!

– Eu proponho o seguinte: cada um descreve um vício. Pode ser teu, de outra pessoa sentada aqui ou não. Pode ser legal, ilegal, um vício à coisas, pessoas, alimentos, comportamentos e assim vai! Eu vou começar por aquele vício clássico…

1º Estágio

Coisas pequenas se tornam grandes; principalmente as conversas.

A lua pode estar brilhando na mesma intensidade com a qual brilhou ontem, mas por ter olhado para ela agora já virou um tópico para dissertar.

A vontade de falar sobre aquela pedra que pisou nesse momento é grande porém, se distrai com o movimento dela para lá e para cá passando com o pé.

Surgem as teorias sobre o real significado da pedra na vida e em um movimento súbito o mundo fica maior.

É hora de olhar nos olhos das pessoas e esperar aquele pequeno silêncio na tal conversa para encaixar seu aprendizado de 3 minutos sobre a pedra.

O problema é que na maioria das vezes é exatamente nesse ponto, quando se abre a boca para falar, que as palavras se embaralham, fogem correndo e não voltam mais. Nesse ponto só resta ir ao 2º estágio.

2º Estágio

A felicidade bate na porta até quando não é apropriada, ninguém segura aquela boa risada.

Não há espaço para o silêncio, ele fica escondido numa gargalhada sem o menor sentido.

Nesse momento uma mutação dos 2 estágios pode acontecer e com um nome inventado eu descrevo o “Sub-estágio do segundo” :

Aquela vontade de gesticular no 1º estágio volta intensificada e ninguém mais tem tempo pro mundo quando se quer falar de universo.

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Sorte daquele que pode gravar as conversas nesse momento. Elas chegam de supetão sem fundamento nenhum, ganham força na discussão e saem com cara de teorias, como a teoria dos estágios por exemplo.

Esse momento pode durar segundos ou horas, mas para quem tem esse vício não importa.

O tempo perdeu sentido, faz tempo.

3º Estágio

A compulsão é grande. É hora do pecado. Talvez por isso exista tanta discussão moral em cima desse vício. É nessa hora que se perde a linha, que fica difícil dizer não.

Os armários estão revirados, na rua, a fila do pastel é enorme.

Se fast food faz cliente de madrugada é com certeza com os viciados desse vício.

Se o “tio” do Hot Dog recebe um pedido “sem salsicha por favor!” A culpa é toda do terceiro estágio.

E para não dizer que esse pecado de todo mal é, há quem precise dessa gula, há quem precise desse “dizer sim” o tempo todo, há quem não tem mais perspectiva de futuro e encontra nesses estágios uma garantia de outro mundo.

4ºEstágio

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A sonolência: ela toma conta e tudo se torna chato.

Ela é uma tirana e te obriga a sair. Com ela ninguém pode e essa é a hora de se entregar, de obedecer, desaparecer…

Apologia a gente não faz. Na calçada não existe certo ou errado e antes que alguém se levante com uma ideologia qualquer, eu passo a voz para você.

– A vez é sua.

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