Berlim aos meus olhos e ouvidos – 1º de Maio

1º de Maio, como todos sabem, é o dia internacional do trabalhador e em Berlim uma data marcada por protestos e festas.

Logo que passei pelo meu 1º de Maio aqui em Berlim fui confrontada com o medo de sair de casa. 

Sim, aqui é uma cidade muito mais segura do que a grande São Paulo, de onde venho, mas, nesta data tudo é possível! 

Além de pessoas revoltadas com a atual política e que procuram mostrar sua indignação com protestos, placas e gritaria, ainda encontramos (infelizmente) os bêbados sem noção e aqueles que só querem arranjar confusão por um prazer bem perverso.

Não é a toa que o número de policiais nas ruas triplicam (muitos convocados de outros estados), que a cerveja só pode ser vendida em garrafas de plástico ou em copos também de plástico e o barulho das ambulâncias se tornam mais freqüentes.

O resultado disso tudo é uma liberdade de expressão admirável porém abafada por confusões, brigas sangrentas e a destruição do patrimônio público.

Assim como eu nunca freqüentei estádio de futebol em dia de jogo clássico no Morumbi – pela simples preguiça de sair correndo quando um pedaço de pau com pregos começa a voar – eu também não tinha a mínima vontade de sair aqui no 1º de Maio.

Porém esse ano resolvi testar, não é possível que no meio de uma multidão, seja logo comigo o caso da estrangeira perdida no meio de uma briga que leva a tal da pedrada. 

Logo que cheguei me senti a única pessoa com mais de 20 anos ali e as piadinhas entre eu e meu marido sobre o “super passeio” para colegiais não parava.

Resolvemos respirar fundo e ir pro meio da galera! 

Bairro: Kreuzberg

Cheiro: Peixe, salsichão, maconha e cerveja.

Música: De tudo, mas a que nós cantamos com bracinhos levantados foi essa

Quem nunca? 🙂

Agora vamos para coisas que provavelmente você vai passar numa Maifest, Myfest ou festa de Maio:

1 – Fila da cerveja! 

Se eu fosse você, já comprava duas…

2 – Andar que nem pingüim seguindo a multidão. 

 

Se você tem medo de entrar em contato com o corpo alheio, ou tropeçar no carrinho de bebê da mãe ou pai louco que se enfia no meio a multidão então, aqui não é o seu lugar.

3 – Paradinha no caminho para a pessoa da frente dançar. 

Ou você se joga no ritmo do som junto com o fulano ou você fica parado esperando abrir um espaço. 

(Eu voto na primeira opção).

4 – Utilizar o banheiro masculino.

Ou você se junta na fila gigante das mulheres por um tempão ou você encara o banheiro masculino. 

Te garanto que em situação pior estarão os homens. 

Sempre tem um que fica vermelho e diz “não consigo me concentrar com mulher entrando e saindo daqui”.

Sempre tem um fazendo barulho de xixi para ajudar o amigo. E sempre existe alguém como eu para dizer: não esquece de lavar a mão!

Se você tem a sorte que eu tenho, ainda vai ganhar uma dose de tequila na saída por ser comediante na situação de quem tem que usar o mictório na frente de tanta mulher.

Como uma verdadeira pessoa de São Paulo preferi ir sem bolsa porque, sou paranóica e mesmo que alguém esbarre sem querer, eu olho com lasers nos olhos! 

ficadica!

Fiquei sabendo que aconteceram brigas mas, sinceramente a única coisa que vi de perto, foram pessoas de várias idades, estilos de vida e culturas diferentes reunidas para dançar, sorrir e beber, como de praxe por aqui.

Tinha barraca tocando rock, reggae, eletrônico e quando ouvi o batuque da capoeira, tive que parar um tempinho perto da roda para me sentir mais em casa.

Para mim, esse é o grande motivo de me considerar feliz em Berlim: a oportunidade de ver diversidade em harmonia, mesmo que seja só por algumas horas… 

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Me desculpe mas não há jeito de não comparar porque, eu nem me lembro qual foi a última vez que eu saí no Brasil tão tranqüila numa festa de rua.

Talvez nunca…

Obs. Estou aceitando um patrocínio de máquina fotográfica para tirar fotos melhores! hehehe

6 pensamentos sobre “Berlim aos meus olhos e ouvidos – 1º de Maio

  1. Nossa, esse seu relato foi fantástico! Você escreve muito bem!
    Berlim é isso mesmo, uma confusão gostosa! Sinto saudade dessa cidade, espero voltar em breve!
    Beijos e parabéns pelo seu blog!

    • Obrigada 😉
      Realmente aqui é uma confusão, mas de um jeito bem divertido hehehe
      Ainda não viajei para muitas cidades dentro da Alemanhã, mas posso dizer que já encontrei meu lugar 😀

      Beijo e uma ótima semana

  2. Relato incrível Bah… Você escreve super bem, já está preparando um livro? Esperando que sim e ansiosa…Beijos e sucesso sempre!

  3. Olá Barbara, estou fazendo intercâmbio na Alemanha, estou aqui a um mês e estou sofrendo bastante com a língua, queria saber quanto tempo demorou pra você entender e conseguir falar o alemão???
    Bjs adorei seu blog

    • Oi Letícia!

      Primeira coisa que eu posso falar para você é: muita calma nessa hora! rs

      Um mês é bem pouco para você notar os resultados.

      Veja bem, eu estudei até a quinta série do primário numa escola alemã. Quando adulta esqueci praticamente tudo mas, na hora que comecei meu curso intensivo aqui, muita coisa voltou. Por isso, eu já conseguia entender depois de quatro meses de curso e me comunicar muito bem após nove meses.

      Uma coisa que eu e meus colegas notamos é que de um mês para o outro, parece dar um BUM! e você sai tagarelando coisas que nem imaginava ser capaz.

      Então não se afobe, vai chegar a hora, mas vai demorar ainda. Não sei se você já sabia alemão ou se começou do básico. Caso não soubesse nada de alemão antes do seu intercâmbio, vai demorar obviamente, um pouco mais.

      Todo mundo passa pelo momento da língua “passiva” onde você entende bastante, mas não consegue se expressar.

      O importante é não desanimar e achar jeitos de treinar a língua.

      Eu tive a sorte de não ter ninguém na minha sala que soubesse inglês ou qualquer língua parecida com o português então, eu era obrigada todos os dias a usar o pouquíssimo de alemão que sabia com os meus colegas de curso.

      Outra coisa que ajudou foi o fato de ver filmes, série ou qualquer outro programa na TV, sempre em alemão. Os programas infantis são os mais fáceis de entender e te ajudam a associar palavras com ações. O mesmo princípio que bebês aprendem a língua materna.

      Desejo toda a sorte com a língua e coragem de falar, mesmo que nem sempre saia exatamente o que você queria dizer 😉

      Obs: estou preparando um texto sobre o assunto.

      Abçs e uma ótima semana,

      Bah

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