DesaBAHfo sobre a beleza

Acho que a maioria já deve ter lido sobre as declarações tenebrosas do CEO das Abercrombie & Fitch.

Comecei a refletir sobre o assunto de modo geral, chegando até mesmo na minha memória de quantas vezes sofri por ser insegura com meu corpo e é por isso, que venho aqui desaBAHfar algo muito pessoal mas, que talvez ajude outras pessoas a se sentirem mais felizes com sua aparência.

Meu perfeccionismo e senso estético sempre foram aguçados. Desde pequena me lembro o quanto um quadro mal alinhado me incomodava, um risco na parede,  junções de cores na roupa que para mim não faziam sentido, etc.

Eu era um bebê feito principalmente de bochechas, olhos esbugalhados e orelhas de abano.

A Bah Não - bebê

Fui uma criança magra, mas muito magra mesmo! Com olhar triste, sardinhas de muito sol, nariz grande e ainda orelhas de abano. Além disso, sempre fui introspectiva e por isso, não ganhava amizade nem em piadas com a minha própria aparência pois não conversava com ninguém.

Sofri bullying no jardim de infância, na escola primária, no colegial e até hoje sou voltada de comentários negativos sobre a minha aparência.

Por volta dos sete anos de idade eu era tão insegura e odiava tanto minhas orelhas de abano que após muita conversa, minha mãe decidiu que deixaria eu fazer a minha primeira e única cirurgia plástica.

Fiquei contente com o resultado? Não! 

Me senti mais segura após a cirurgia? Sinceramente… Não!

Eu sou tão perfeccionista e talvez por castigo da vida, para que eu aprenda a gostar de mim sem tirar nem por nada, um ponto de uma das orelhas soltou e o resultado é que uma orelha até hoje, é mais tortinha que a outra. 

E lógico que reparo! Reparo até hoje toda vez que prendo o cabelo, olho no espelho, faço um rabo de cavalo, entre outras coisas…

Por volta dos meus 13 ou 14 anos, minha mãe era completamente contra que eu pintasse meus cabelos, usasse maquiagem ou me depilasse. Ela sempre me explicou que eu teria uma vida adulta toda para sofrer as consequências de tanta química no corpo ou das dores de uma depilação.

Quando eu dizia para minha mãe que me odiava, me achava feia, que mudaria isso e aquilo, ela ficava muito brava e repetia trilhões de vezes que eu era linda do jeito que era e que não precisava mudar nada. 

Me dizia que todo mundo passa por uma fase em que não está feliz com o corpo, principalmente na puberdade;  tudo começa a ficar desproporcional enquanto, você ainda está em processo de mudança para se tornar um homem ou mulher e, que nada disso mudaria o fato de que muita gente me acharia linda como sou a partir do momento que eu também me achasse linda.

Quando conversamos sobre isso, eu tentei entender o que ela queria dizer porém, numa tarde na escola de shorts enquanto, todas as meninhas já tinham peitões, bundões e depilavam todos os pelos indesejados, mais uma vez sofri bullying de meninas e meninos  e nem cheguei a contar à ninguém por pura vergonha.

Eu era do tipo que se encurvava por vergonha de mostrar que os seios cresciam depois, me encurvava mais ainda por vergonha de mostrar que eles não cresceram tanto e, o resultado foi uma má postura que me garante até hoje dores na coluna e que dificilmente conseguirei corrigir por completo. (Palavras de ortopedistas e fisioterapêutas).

Quando entrei na faculdade, eu ouvia de amigos, familiares e pessoas desconhecidas que sou muito branca, muito magra, muito isso e muito aquilo. 

Nessa época, eu já tinha aprendido que não poderia mais ouvir tanto o julgamento de outras pessoas ou iria enlouquecer mas, inconcientemente eu tentava sim ficar melhor aos olhos dos outros. 

Dois homens que eu tinha uma relação sem compromisso me disseram algo que me deu um empurrão para mudar o jeito de pensar. Afinal, a gente sempre desconfia da opinião de mãe e eu ainda dava importância sim para o que os outros pensavam principalmente homens.

Um me disse que realmente eu não era a MAIS bonita na primeira vista, mas que quando eu estava só com ele eu me tornava a cada minuto mais e mais atraente porque, eu parava de me julgar, conversava com um sorriso gostoso no rosto, tinha um humor a cada palavra e parecia ser mais segura do que quando estava em volta de outras pessoas.

O outro me disse que eu era uma das poucas que ele conhecia que olhava nos olhos, que não fazia charme, simplesmente o tinha naturalmente. Que a atração que ele tinha por mim, vinha de muito mais do que um par de belas coxas porque, eu era muito mais que uma bela bunda.

Demorei para acreditar nesses dois elogios mas resolvi usar o estranho ao meu lado! 

Passei a usar tudo que as pessoas achavam negativas em mim, como a fonte da minha beleza. Quanto mais estranha eu parecesse, quanto mais pessoas me olhassem torto, mais eu sorria e pensava: pronto! Era isso que eu queria!

A Bah Não - faculdade

Tive sim recaídas, se amar, se orgulhar do seu próprio corpo depois de tantos anos se odiando é um processo demorado e até hoje tenho que me condicionar a não ouvir, não me importar com o padrão de beleza e negatividade alheia.

Aprendi a usar o humor na hora de falar dos meus”defeitos” e a diferença é que, hoje, quando alguém fala algo ruim eu me afasto. Eu termino a amizade, namoro, casamento, eu deixo até de falar com parentes se fizerem com que me sinta pior!

Eu reclamo, eu retruco e mando à merda mostrando o dedo do meio se for preciso! 

Mas eu não permito e nunca mais vou permitir que nada, nem ninguém me diga o que é belo pois, eu me olho no espelho e mesmo vendo o narigão, a orelha torta, brancura da pele e a magreza – sorrio e lembro que todos eles me fazem ser única! 

Graças à esses “defeitos” eu sou reconhecivel e não só mais uma boneca de vitrine, não só mais uma face tão harmônica que chega a ser falsa.

Eu sou 99% mulher de verdade (só não sou 100% pelas orelhas operadas), com todas as minhas estrias, celulites, pinitnhas, sardinhas, cicatrizes, pêlos onde quero que apareçam, peito pequeno, brancura, estatura baixa, coluna torta, nariz grande e tudo mais que me completa como Bárbara!

Concluindo, nem CEO da Abercrombie tem o direito de falar que você aí do outro lado da tela é melhor ou pior e mais ou menos merecedor de usar uma marca ou qualquer outra coisa que deseje! 

Ame-se e aproveite todas as conseqüências providas desse sentimento maravilhoso de se sentir orgulhosa por ser quem é!

16 pensamentos sobre “DesaBAHfo sobre a beleza

  1. Disse tudo… e mantenha o foco…rs Fácil não é, mas precisamos nos amar para que os outros nos amem e aceitem. O mundo é cruel com quem se mostra vulnerável. Um prato cheio. Quando vc se assume e mostra que está segura de seus ‘defeitos’ e das suas qualidades, que sabe explorar cada detalhe a seu favor, vc quebra o encanto da gata borralheira e desarma meio mundo. Bj

  2. Olá! Quero dizer que te entendo perfeitamente, Barbara… Sou descendente de japoneses e cresci na era da Xuxa, da Angélica e das Paquitas. Todas as minhas amigas (que eram descendentes de europeus) se pareciam com artistas de novela e eu não me parecia com ninguém! Em uma época que se precisa de afirmação (como a puberdade), crescer com os olhos puxados em uma sociedade ocidental não foi fácil. Nunca fui gorda, mas também nunca fui magra o suficiente para ser modelo. Aos 20 e poucos anos, tive bulimia (acho que era bulimia anoréxica porque vomitava o que comia no almoço e não comia na janta) por um período curtíssimo de tempo e passei anos sem tratar do meu hipertireoidismo porque essa doença acelerava meu organismo e eu podia comer o que quisesse sem nunca engordar. Eu era louca (bem, louca continuo sendo! Hehe!) e queria seguir um padrão de beleza que era imposto.

    Cresci e amadureci. Aos 30 e poucos anos, finalmente, passei a me aceitar por inúmeros motivos. Hoje, se pudesse escolher como nasceria outra vez, eu afirmo que queria nascer com os mesmos genes que tenho hoje. Afinal, com 35 anos não tenho uma ruga (obrigada avôs!). E, de uma forma ou outra, aprendi a gostar de mim da forma que sou.

    Então, por passar por tudo isso, te entendo. E parabenizo que você, como eu, conseguiu superar os traumas do passado.

    Sobre a declaração do CEO da Abercrombie, eu não liguei muito para isso porque o cara é um babaca… É estratégia de marketing, mas o que não percebi é que a marca tem como público-alvo pessoas que não tem a mesma auto-estima que nós. E, em uma época de combate a bulimia e aos problemas psicológicos relacionados à beleza, o CEO da empresa se mostrou um babaca… Acontece. A liberdade de expressão, infelizmente, tem essas coisas…

    Se cuida! E continua sendo orgulhosa dessa pessoa que você se transformou! =)

    • Olá Tati!

      Fiquei super emocionada de ver a sua força para sair do casulo e se tornar uma mulher orgulhosa de quem é!
      Obrigada do fundo do coração por esse relato sincero e que talvez ajude outras mulheres a ver que nada dessas coisas fazem sentido pois, a frase é clichê mas é verdadeira “a beleza está nos olhos de quem vê”!

      Quanto ao babaca da Abercrombie… Ele até está recebendo mais atenção com toda essa história e isso é ruim mas, eu, como profissional do ramo me sinto na obrigação de deixar claro que isso não é moda, que isso é puro preconceito no poder de alguém que por acaso trabalha com moda! E realmente é muito sério esse assunto e, em pessoas ainda inseguras pode desencadear um repúdio ao próprio corpo e doenças complicadas como a bulimia, anorexia e depressão e eu me sinto na obrigação de “proteger” de alguma forma essas pessoas.
      Moda para mim é a simples arte de se comunicar/expressar através das roupas e é ainda mais bonito de ver quando essa expressão é de orgulho e segurança com suas próprias curvas.

      Beijos e muita energia positiva pra ti! 😀

      • Depois de ler o seu texto, foi um prazer dividir a minha experiência com você! =) Sabe, eu não trabalho com moda, mas acredito que nos expressamos através da forma que nos vestimos. Acredito que a moda seja a expressão da individualidade através da roupa ou, senão, seriamos apenas a carne que enche a lingüiça: tudo seria uniformizado e sem personalidade. Já ouvi pessoas que comentam que me visto bem e acho que o faço, em grande parte, porque carrego em cada peça, em cada acessório e em cada sapato (minha paixão) um pouco de mim.

        É como eu disse para você no Brasileiras… O perfeito é chato! 😉 E como alguém disse, seria muito bom se tivéssemos a maturidade dos 30 na puberdade! Haha! Mas não cresceríamos! 😉

        Um beijo grande!

  3. SENSACIONAL. Você é uma mulher de parar o quarteirão. Não trocaria nada nessa minha amiga que para mim é perfeita com todos os defeitos que tem!

  4. Estou tão impressionada e tão orgulhosa que não consigo nem me expressar. Só quero dizer o quanto você é o máximo!
    E repetir o exemplo que você sempre me deu, o quanto você me inspirou e inspira e agora te vejo fazer o mesmo para pessoas que você nem conhece!
    Aaah e amei que você colocou o “subscribe” aqui em baixo!! =]

    • Outra lindona aqui!
      Amandinha minha prima-irmã hehehe… Confesso que estava com medo de publicar o texto pq esse é o tipo de coisa que eu nunca converso com ninguém mas, a gente tem que as vezes fazer isso por nós e por outras pessoas que possam se beneficiar e fico muito alegre de só ter recebido comentários positivos sobre essa iniciativa minha.
      Você é meu orgulhoooooooo! E para de me elogiar toda hora que eu vou ficar metida! hahaha (mentira)

      Tá vendo só! PEdido seu é ordem! hehehe

      Bjs prima e arrasa na vida como sempre!

  5. Bee amei amei amei amei!!
    Achei lindo, profundo, ora comico, mas sobretudo verdadeiro e acho que cada uma/um se identifica com você e as coisas pelas quais você passou!!

  6. Bárbara eu tiro o chapéu pra você, por ter coragem de falar tão abertamente sobre um assunto que poucos teriam coragem. Eu sou cheia de complexos, narigão, perna torta e também já sofri muito com comentários maldosos, vindas muitas vezes dos próprios amigos. Mas eu sou muito segura, sou consciente com relação aos meus defeitos e não deixo mais ninguém me atingir. Quem no mundo não tem defeitos? O problema é que muitas pessoas só observam os dos outros, não é mesmo? O bom é ser feliz e mais nada! Gente linda é gente como a gente: simples e sempre com sorriso no rosto!
    Já virei uma grande admiradora sua pelo jeito que vc escreve!

    • Olá Ana, obrigada por todos os elogios 😉
      E realmente, difícil é ver os próprios defeitos antes de falar dos defeitos de outros. Se todo mundo prestasse mais atenção no que diz e se colocasse na posição da outra pessoa, o mundo seria MUITO melhor!

      Beijos e uma ótima semana 🙂

  7. Barbara,

    nessa vida você vai sempre encontrar gente pra tentar te derrubar, acredite. Mesmo aquelas mulheres consideradas “bonitas” dentro do padrão estabelecido por nossa sociedade doente, sofrem algum tipo de preconceito. O caminho é exatamente este que você encontrou a duras penas, ser feliz e realizada como você é. E você é linda minha querida, creia nisso. Os dois elogios que recebeu dos caras que citou refletem que ainda existem pessoas que conseguem ver você além e isso é o que importa. Você é inteligente, e mostra nesse texto que tem amadurecido e se tornado bem resolvida com a vida e com aquilo que sempre te machucou. Eu sempre tive dificuldade em me aceitar e até hoje ainda não consegui fazer isso e tenho cicatrizes enormes dentro de mim por causa disso. Sei o que você sentiu porque senti e sinto ainda. Por agora apenas te deixo um grande beijo e meu desejo de que nada mais nesse sentido machuque seu lindo coração. Alegre sempre teu coração, porque toda beleza vem dele. Gr. Bj. minha querida.

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