É o fim, é o fim.

*Essa é uma continuação do texto: A tal da Nova York e Já estou na tal da Nova York?

Sol, praia enfim, Brasil! Tudo isso tira a concentração, mas estou de volta para terminar essa história.

O segundo dia de viagem estava planejado para ser cultural, mas infelizmente nos decepcionamos tanto com os preços do Outlet que ainda faltavam muitas coisas que gostaríamos de comprar – fora as listinhas alheias que minhas companheiras insistiram em trazer.

Começou uma pressão básica de manter a palavra e encher a mala de encomendas. A alfândega que não me ouça!

E lá estava eu entre lojas e mais lojas… Mas a “giripoca piou” quando caímos na Macy’s. É impossível comprar de forma rápida  e prática naquele lugar sem um bom plano ou certa objetividade e, eu estava CAN-SA-DA de conhecer só lojas.

Acabei me separando do grupo e fiz como qualquer pessoa no meu lugar faria: olhei o mapa, ví onde estavam as coisas que me interessavam, passei por cada andar como um furacão; memorizando araras, marca e cor do que eu queria.

Parei para um café, uma refrescada e voltei aos andares pegando tudo que ví. 

Somei, chorei e comecei a subtrair para caber no meu bolso. Pois é, por mais pisciana que seja, quando a questão é dinheiro, eu sou bem realista.

Não comprei NA-DA! Por que? Porque a consciência bateu, eu não precisava daquilo, não passava de impulso consumista que eu tanto digo ser contra. O que eu fui para comprar eu já tinha feito – só faltava o Ipod, mas lá não tinha. 

Procurei então, minhas amadas companheiras que não haviam um minuto se quer saído do mesmo andar (aquela loja engole tempo e consciência).

Ainda havia uma listinha separada para a Victoria Secret’s afinal, brasileiro que é brasileiro, não sai dos EUA sem pelo menos um pote de creme da marca.

Eu estava exausta, mal-humorada e pronta para dar uma voadora no próximo brasileiro que gritasse entre uma loja ou outra “eu quero marcas, eu quero marcas!”.

Foi então, numa parada para um cigarro e respirar o ar poluído e ouvir a cidade barulhenta, ao lado da porta da Victoria Secret’s que, eu ganhei forças para sobreviver – um mocinho muito bonito, estudante nova-iorquino se aproximou com panfletos na mão. 

Em qualquer outro lugar (mesmo que a estética me encantasse) eu teria mandado às favas, mas meu lado altruísta falou mais alto, já entreguei panfletos na rua e sei como é chatíssimo ouvir um não. 

O moço me elogiou, sorriu, perguntou se eu era francesa pois, achava meu estilo muito parecido com o delas. Preciso dizer que me senti fina e rica?

Eu sou apaixonada pela elegância natural das francesas; pela forma como se portam e se vestem, a comparação foi perfeita pra massagear o meu ego.

E foi assim que as energias egocêntricas me deram paciência para enfrentar o inferninho  inferninho doce e pink vulgo, Victoria Secret’s.

Finalmente… FINALMENTE as compras terminaram! Agora era só correr para utilizar o pouco tempo que sobrava num entardecer em Nova York e passear pelas ruas. 

Finalmente  eu conheceria locais e não só turistas ensandecidos com os preços que nem de banana eram.

Comi um hambúrguer como manda a tradição, passeei pela Times Square e acabei a noite no quarto do hotel assistindo Project Runnaway porque, sou designer e não resisto!

Manhã seguinte

Bateu a ressaca moral em todos nós, decidimos que seria um dia cultural e assim fizemos. 

Que o universo abençoe quem inventou os passeios de ônibus sem teto pela cidade. Eu estava tão cansada da maratona consumista que só queria sentar e observar a cidade. 

Nem me importava mais se haveriam pessoas estranhas para observar ou se algo diferente aconteceria. Me bastava uma guia de turismo engraçada e uma visão privilegiada que o acento de um ônibus desses tem.

Por motivos maiores o grupo se separou e seria durante à tarde toda só eu e minha pãe. Carregamos nossas energias com um burrito gigantesco acompanhado de uma margarita e, com energias carregadas, sacolas de compras (essa cidade é do demônio!) e o intuito de tirar uma foto pegando nas bolas do touro na Wall Street…

Calma, calma. Não somos sádicas; dizem que dá sorte. 

Caminhamos e caminhamos até a nossa bela decepção vestida com Saris – não sei se tem uma época do ano em que todos os indianos tiram férias ou se é sempre assim, só sei que se no rosto do boi nós não conseguíamos chegar perto, quem dirá nas bolas!

Como de praxe em qualquer viagem que faço com a pãe, fiz ela caminhar mais do que deveria e nos perdemos. 

Descobrimos que essa história sobre a dificuldade de pegar um taxi em Nova York é pura realidade e decidimos que era hora de fazer um x na nossa lista de coisas de turistas.

Subimos a ilha em direção ao Central Park, usamos o toilette de uma Trump Tower. Não deem risada, descobri que não sou só eu que adora conhecer os banheiros do Trump, ok?

Bom, mas banheiros à parte, foi hora de comer o meu primeiro hot dog em frente ao parque! Aleluia! Mais um x na lista de desejos. Alias, oooh hot dog caro, feito mesmo para turistas…

Já deu para ver que eu adoro comida né? Pois é, paramos num restaurante italiano maravilhoso e nos empanturramos ao meio de muito blá blá blá e uma saborosa taça de vinho tinto.

Mas não foi só de comidas que o meu passeio cultural se baseou. Nessas andanças todas eu tentei dar atenção aos detalhes e descobri nas portas dos prédios e outros objetos uma das minhas maiores paixões, o Art Deco.

Até Berlim eu achei por ali, numa gravura no meio da rua.

Dar a volta de barco na ilha e ver a estátua da Liberdade, alugar uma bicicleta para passear no Central Park (como qualquer berlinense que se preze faria) e se perder foi a emoção extrema que coloca um sorriso de canto de boca quando eu lembro.

Essa viagem me ensinou como a companhia nas viagens fazem a atmosfera. Aprendi também que definitivamente nesses anos de Alemanha, muita coisa no meu jeito de ver o mundo mudou, mais do que eu imaginava e quer saber de uma coisa? Estou orgulhosa das minhas mudanças. Nova York continua na minha lista de lugares que pretendo conhecer melhor, mas sinceramente, Berlim ainda é a dona da minha alma.

Deixo vocês então, com as imagens dessa aventura.

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